A COFINS será substituída pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) a partir de 2027, conforme a transição da reforma tributária. Para empresas e escritórios contábeis, o desafio não é apenas entender o novo tributo: é revisar cadastros, documentos, créditos e rotinas antes que as regras mudem.
Conteúdo do Artigo:
O que as empresas precisam saber sobre a transição
- Em 2026, começa a fase de teste da CBS e do IBS, com regras próprias de compensação e cumprimento de obrigações.
- Em 2027, PIS e COFINS deixam de ser cobrados e a CBS passa a ocupar o lugar dos tributos federais sobre o consumo.
- Créditos antigos não devem ser tratados como valores automaticamente disponíveis: saldos precisam estar documentados e seguir as regras de transição.
- O impacto financeiro varia conforme a atividade, o regime tributário, as aquisições e a capacidade de aproveitar créditos.
- Revisar processos e dados fiscais com antecedência ajuda a reduzir erros, retrabalho e riscos de inconsistência.
O que é a COFINS e por que ela importa na mudança
A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, conhecida como COFINS, é um tributo federal que incide sobre receitas, com regras diferentes conforme a atividade e o enquadramento da empresa. Em muitos casos, a apuração segue o regime cumulativo ou o não cumulativo, mas há exceções e tratamentos específicos.
Por isso, a substituição não significa apenas trocar o nome de um campo no sistema. A empresa precisa entender como a nova lógica de tributação e créditos se relaciona com suas compras, vendas, serviços, documentos fiscais e fluxo de caixa.
A Lei Complementar 214/2025 instituiu a CBS e o IBS e definiu etapas para a transição. A aplicação prática depende das regras legais e operacionais pertinentes a cada período, então a análise deve considerar o perfil de cada contribuinte.
Quando PIS e COFINS deixam de existir?
PIS e COFINS deixam de ser cobrados em 2027, quando a CBS começa a substituí-los no âmbito federal. A mudança acontece dentro de uma transição mais ampla, que também envolve o IBS, tributo compartilhado por estados e municípios que substituirá gradualmente ICMS e ISS.
| Período | O que observar |
|---|---|
| 2026 | Fase de teste: alíquotas de 0,9% para CBS e 0,1% para IBS, com previsão de compensação nos termos legais e conforme o cumprimento das obrigações aplicáveis. |
| 2027 | Início da CBS e encerramento de PIS e COFINS. |
| 2027 a 2032 | Período de transição do IBS, com mudanças graduais na substituição de ICMS e ISS. |
| 2033 | Implementação integral do novo modelo de tributação do consumo. |
As datas ajudam a organizar o planejamento, mas não dispensam a conferência das normas e dos leiautes aplicáveis a cada obrigação. Em 2026, por exemplo, empresas devem acompanhar como os documentos fiscais e sistemas serão ajustados à fase de teste.
A nova regra de créditos exige atenção ao pagamento do tributo
Na sistemática da CBS e do IBS, o aproveitamento de créditos está ligado à extinção do débito tributário da operação anterior, conforme os mecanismos previstos na legislação. Assim, a nota fiscal, por si só, pode não ser suficiente para confirmar que o crédito está disponível.
Essa lógica torna importante conciliar documentos fiscais, pagamentos e registros contábeis. A empresa deve acompanhar como o tributo foi recolhido ou extinto na operação e guardar evidências que sustentem o crédito informado. O procedimento concreto pode variar conforme a forma de liquidação e as regras aplicáveis.
Já os saldos acumulados de PIS e COFINS exigem uma análise separada. A legislação prevê tratamento para créditos antigos, mas a utilização depende de requisitos, comprovação e registro correto. Não é prudente projetar o caixa contando com a compensação de todo saldo sem antes validar sua origem e documentação.
O impacto não será igual para todas as empresas
Não é possível afirmar que a reforma aumentará ou reduzirá a carga de toda empresa. O resultado depende, entre outros fatores, da atividade econômica, do regime tributário, do peso das compras com direito a crédito e das regras específicas aplicáveis ao setor.
Uma empresa com despesas relevantes e documentadas pode ter um perfil de créditos diferente de um negócio com poucos insumos aproveitáveis. Também é importante avaliar separadamente empresas do Simples Nacional, operações sujeitas a regimes específicos e negócios que vendem para outras empresas ou diretamente ao consumidor.
Antes de alterar preços ou contratos, vale simular cenários com dados reais: receitas por atividade, fornecedores, despesas, créditos atuais e prazos de recebimento. Uma projeção genérica não substitui a avaliação de um profissional contábil que conheça a operação.
Como preparar cadastros e rotinas fiscais antes de 2027
A preparação mais útil começa pela qualidade dos dados. Classificações fiscais inconsistentes, cadastros desatualizados ou documentos recebidos fora do padrão podem comprometer a apuração e dificultar a validação de créditos no novo modelo.
- Mapeie produtos, serviços, operações e respectivos códigos e tratamentos fiscais.
- Revise cadastros de clientes e fornecedores e identifique documentos que chegam incompletos ou com divergências.
- Organize a conciliação entre documentos fiscais, pagamentos, lançamentos e informações de crédito.
- Defina responsáveis, prazos e etapas de conferência para as obrigações e os testes dos sistemas.
- Faça simulações com cenários distintos e registre dúvidas para validação com a assessoria contábil.

Escritórios contábeis que atendem muitos CNPJs também precisam padronizar a coleta de informações e o acompanhamento de pendências. Ferramentas de automação podem ajudar a organizar tarefas, documentos e responsáveis, mas não substituem a revisão técnica das regras tributárias.
Na Ottimizza, soluções como Tareffa e CheckList podem apoiar a organização de rotinas e etapas de conferência. O ponto central é combinar tecnologia, dados confiáveis e validação contábil para identificar inconsistências com antecedência, em vez de concentrar ajustes perto dos prazos.
A adaptação começa antes da extinção da COFINS
A COFINS deixa de fazer parte do sistema em 2027, mas a preparação começa antes: na revisão de cadastros, na documentação dos créditos, nos testes de sistemas e na organização dos processos. Empresas que esperarem a virada para mapear essas frentes podem enfrentar retrabalho e dificuldades para explicar divergências.
O próximo passo é levantar como PIS e COFINS são apurados hoje, identificar operações mais sensíveis e montar um plano com responsáveis e datas. Com acompanhamento profissional e processos bem registrados, a transição pode ser conduzida com mais previsibilidade e menos improviso.





