Para 2027, a escolha não é simplesmente entre pagar mais ou menos: a empresa pode manter IBS e CBS dentro do DAS ou recolhê-los pelo regime regular, fora da guia do Simples Nacional. O chamado modelo híbrido pode favorecer negócios que vendem para outras empresas e têm aquisições que geram créditos, mas não é vantajoso automaticamente. O prazo informado para optar pelo recolhimento regular termina em 30 de outubro de 2026, por isso contador e cliente precisam comparar cenários antes de formalizar a decisão.
Conteúdo do Artigo:
O essencial é comparar créditos, clientes e custo operacional
- Dentro do DAS: IBS e CBS permanecem na apuração unificada do Simples, conforme as regras aplicáveis ao regime.
- Fora do DAS: a empresa apura IBS e CBS pelo regime regular, enquanto os demais tributos abrangidos pelo Simples permanecem no DAS.
- Créditos: a opção regular pode permitir a apropriação de créditos em aquisições elegíveis e alterar o crédito transferido ao cliente, mas isso depende das regras e da documentação de cada operação.
- Decisão: o contador deve projetar a carga tributária, o efeito comercial e o trabalho necessário para cumprir as obrigações.
O que muda ao recolher IBS e CBS dentro ou fora do DAS?
Dentro do Simples, os novos tributos são recolhidos conforme a sistemática unificada do regime. Na opção pelo regime regular, IBS e CBS passam a ter apuração própria, separada do DAS, com aplicação das regras regulares de débitos e créditos. A empresa não deixa de ser optante pelo Simples para os demais tributos abrangidos pelo regime.
“Simples Nacional híbrido” é uma forma comum de descrever essa combinação, não um regime independente. A possibilidade de escolha decorre das regras da Lei Complementar nº 214/2025, que regulamenta aspectos da reforma tributária sobre o consumo.
| Aspecto | IBS e CBS dentro do DAS | IBS e CBS no regime regular |
|---|---|---|
| Recolhimento | Na guia unificada do Simples, segundo as regras do regime. | Apuração e recolhimento separados do DAS. |
| Créditos das compras | Aplicam-se os limites e as condições próprios do Simples. | Podem ser apropriados créditos de aquisições elegíveis, conforme as regras regulares. |
| Crédito para clientes | Segue as regras e os limites aplicáveis ao tributo recolhido pelo Simples. | É calculado conforme as regras do regime regular e as operações documentadas. |
| Rotina contábil | Permanece concentrada na apuração do Simples, sem dispensar controles fiscais. | Exige controles separados de débitos, créditos, documentos e pagamentos. |
O recolhimento por fora pode melhorar a competitividade, mas não garante economia
A opção regular merece análise quando a empresa vende principalmente para outras pessoas jurídicas que consideram créditos tributários em suas decisões de compra. Nesses casos, a forma de tributação do fornecedor pode influenciar o crédito que o cliente consegue aproveitar e, por consequência, a negociação de preços e contratos.
O benefício não é automático. O crédito depende de a aquisição ser elegível, estar documentada e cumprir as condições legais. Também é necessário verificar como os clientes aproveitam o crédito: uma venda a consumidor final, por exemplo, não costuma ter o mesmo efeito comercial de uma venda a uma empresa que apura tributos no regime regular.
O cenário tradicional pode ser mais simples operacionalmente para negócios com vendas majoritariamente ao consumidor final, poucos créditos aproveitáveis ou estrutura reduzida para manter controles adicionais. Ainda assim, a conclusão deve vir de uma simulação, não apenas do perfil do setor ou de uma comparação isolada de alíquotas.
Quais dados o contador deve analisar com cada cliente?
A recomendação precisa partir dos números e das operações da empresa. Antes de comparar as alternativas, o contador deve levantar pelo menos:
- receita por atividade e perfil de cliente, separando vendas para empresas e para consumidores finais;
- compras e despesas com potencial de gerar créditos, incluindo a situação tributária dos fornecedores;
- margens, preços, contratos e possibilidade de repassar mudanças ao cliente;
- estimativa de débitos e créditos de IBS e CBS em cada alternativa;
- impacto no fluxo de caixa, nos prazos de pagamento e na rotina de conciliação;
- capacidade do sistema fiscal e do ERP de registrar documentos e apurações separadas;
- custo de adaptação, conferência e atendimento das novas obrigações.

Use dados reais das operações e projete o mix de vendas e compras previsto para 2027. Uma conta baseada apenas no ano anterior pode falhar se a empresa estiver mudando de público, fornecedores, preços ou volume de vendas. Registre as premissas da simulação para que o cliente entenda o que pode alterar a recomendação.
A escolha deve considerar o efeito sobre preço e relacionamento com clientes
Uma empresa com vendas B2B relevantes pode avaliar se o recolhimento regular ajuda seus clientes a aproveitar créditos nas operações. Para chegar a uma conclusão, porém, precisa confirmar o regime dos compradores, as condições de crédito aplicáveis e o efeito da mudança no preço final. O possível ganho comercial deve ser comparado ao custo de apuração e controle.
Já uma empresa focada em vendas B2C deve observar se seus consumidores percebem valor em uma eventual mudança na forma de recolhimento. Se o benefício ligado aos créditos não influencia a compra e a empresa tem poucas aquisições creditáveis, a rotina adicional pode pesar mais do que a vantagem esperada. Cada cliente exige uma simulação própria, inclusive quando atua no mesmo segmento de outros atendidos pelo escritório.
Até 30 de outubro de 2026, transforme a análise em uma decisão documentada
O prazo informado para a opção pelo recolhimento regular referente a 2027 termina em 30 de outubro de 2026. Como a decisão tem consequências fiscais e operacionais, não deixe a comparação para o último momento. Consulte o procedimento e as orientações atualizadas no Portal do Simples Nacional.
- Confirme o prazo, o canal e as condições formais da opção nos canais oficiais.
- Simule os dois modelos com dados da empresa e premissas explícitas.
- Apresente ao cliente os efeitos em tributos, créditos, preços, caixa e controles.
- Registre a recomendação, a decisão do cliente e os pontos que deverão ser revistos.
- Prepare cadastros, emissão de documentos, integração com o ERP e rotinas de conferência.
Padronizar a análise ajuda o escritório a evitar decisões apressadas
Escritórios que atendem muitos CNPJs precisam organizar a coleta de dados, as simulações, as aprovações e os prazos em um fluxo rastreável. Sem responsáveis e etapas claras, informações importantes podem ficar espalhadas em e-mails, planilhas e mensagens, dificultando a revisão da escolha e o acompanhamento das obrigações.
Ferramentas de automação contábil da Ottimizza podem apoiar a organização de tarefas e checklists para padronizar essas etapas. Soluções como Tareffa e CheckList ajudam o escritório a estruturar rotinas internas, enquanto a equipe contábil mantém a análise tributária individualizada. A tecnologia não substitui a avaliação profissional, mas pode facilitar a execução consistente do processo para cada cliente.





